Há os que publicam o cérebro e os que o praticam… A memória é um função estranha e a coerência uma chatice.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Homem Aranha e calibre 12
Há os que publicam o cérebro e os que o praticam… A memória é um função estranha e a coerência uma chatice.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Quinto Império
Quem leu a Jangada de Pedra entende que hoje faleceu um dos profetas do Quinto Império. Ancorar a Península Ibérica algures no meio do Atlântico entre a América Latina e a África, foi a imagem que faltou a Vieira e de que Pessoa só viu parte. Goste-se ou não do autor é evidente que fica na História do país e da língua em que se expressam duzentos milhões de pessoas. Parece-me razão suficiente para esquecer o mau feitio e as opções que tomou enquanto ser vivente e importarmo-nos com o essencial, a sua obra. Sei que detestaria que lhe chamasse semelhante coisa, profeta. Tomo essa responsabilidade e sei que não é nenhuma blasfémia, e no dia da sua morte digo glória a Saramago, pois os profetas, as palavras e as figuras que criam do nada são eternas.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Machadada ou eutanásia.
Quando ouço falar do encerramento de escolas com menos de 20 alunos ocorrem-me várias coisas, e entre elas, a famigerada regionalização contra a qual votei e votarei. Contudo, reconheço que se ela existisse essa medida nunca seria exequível, porque se as Regiões existissem não se poderia fazer a eutanásia, (eufemismo piedoso), dos já moribundos concelhos e freguesias do interior. Há escolhas a fazer e o critério tem que ser rigoroso. Já aqui falei do risco de se constituir um interland entre um Portugal, que só existe numa faixa até 100 Kms da costa, e a fronteira de Espanha. Levantemos a nossa voz e declaremos bem alto que o combate à desertificação deverá ser feito não fechando, mas instalando no interior serviços prestados pelo estado. Deslocalizar o possível do litoral para o interior, unidades militares, escolas de policia, laboratórios e institutos vários, que teriam a mais-valia de trazer cérebros e gente capaz de criar clusters, empregos, população e com ela massa critica. Quem tem coragem para fechar uma grande percentagem de escolas do interior (provavelmente uma medida com critérios justos embora eu não os conheça) também deverá tê-la para evitar a morte anunciada de parte do seu território. Os senhores que se seguem, já se perfilam no horizonte e os media já nos garantiram quem são, agradecem tudo o que for fechar e privatizar serviços/criar negócios, e com esses não contemos, porque para eles apenas somos números, e números pequenos, já se vê. Se tiver que ser, fechem-se escolas, mas garantam-se contrapartidas. Temos pouco tempo, façamos o impossível: fujamos à força concentracionária de Lisboa.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Haja decência
Do defunto papão comunista que comia criancinhas (que Deus me perdoe pelo que acabei de pensar), ao imperialismo americano, agora mais ocupado com os seus assuntos internos do que na construção da American Pax, passando pelo refluxo dos movimentos árabes mais radicais, e com a oposição sem a coragem de tomar o poder, resta-nos o governo a servir de bode expiatório. Nem no consulado de Santana vi tanta unanimidade. Recebo emails de todos os sectores de opinião satirizando e socratisando os nossos dias.
Julgo não fugir à verdade dizer que desde Afonso Henriques, com o bem lembrado esquecimento de pagar o que devia, o povo desconfia do poder. Para o Zé-povinho o Estado nunca foi pessoa de bem, salvo com os excepcionais e honrosos momentos como os de D. Pedro I, D. João II, Conde da Ericeira e Marquês de Pombal. De resto a nossa história é igual às dos outros países, escrita pelos poderosos. Foi tirar aos fracos e proteger os fortes. Foi isso o exercício do poder, até ao fim do Ancien Régime ou da Idade Moderna, como aprendi. Depois, nem em toda a Europa a coisa foi igual…
Como com a globalização e a crise, ou o mercado e as finanças em reestruturação, ou o Bezerro a recompor-se, que é a mesma coisa, legitima tudo, atrevo-me a dizer que há condições objectivas para o governo fazer duas coisas: despenalizar-se o corruptor activo e atirar-se como gato a bofes aos trânsfugas aos impostos que nos gozam de fininho, aos que vivem em resorts no Algarve, aos que utilizam carros de alta cilindrada em nome de sociedades sediadas sabe Deus onde, aos que não têm despesas pessoais e titulam contas em offshores mas que a Banca Nacional sabe e pode identificar. Isto porque é Verão e apesar de tudo consegue manter-se a paz social que outros não manterão.
Há dias, um colega ainda no activo, noutro banco que não aquele em que trabalhei, dizia-me que cerca de 60% dos activos do seu banco, titulados por particulares, tinham emigrado para offshores. Senhores do Governo, isto acontece porque deixam ou querem. O nosso melhor capital é o povo, respeitem-no.
O tempo é outro, mas recordo que emiti muita livrança para liquidação antecipada de Depósitos a Prazo.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Polis II
Exercer a cidadania é também isto, não é morder anonimamente nas canelas de todos e votar de tempos a tempos.
Hoje é dia de Portugal, de Camões e das comunidades. Dia duma raça que ligou o mundo e compôs a primeira globalização, versão 1.0.
Além de se poder vaiar o PM e para lá do futebol, que parece unir muitos, talvez haja o Quinto Império a construir por todos os portugueses como cidadãos livres, fechado que seja o ciclo do desalento.
E se sou cidadão é porque sou livre e assim quero continuar. Não são precisas as luzes da ribalta, nem andar na passerelle dos egos inflados. Basta ser-se livre e eticamente responsável. No que me toca sei o que valho e já não tenho idade para gerir melindres de pessoas emocionalmente instáveis. Não devo nada a ninguém, falo e digo o que preciso e quero, quando e com quem quero. Neste 10 de Junho evoco o 25 de Abril, porque será?
terça-feira, 8 de junho de 2010
Morreu o Zezé Fuzo
Seriam precisos dicionários de palavras por inventar, mas tão reais como a necessidade de respirar, para escrever o que me vai na alma. Como as não tenho, e provavelmente se as tivesse não as mostraria, resta-me ser sério e dizer que morreu um amigo, num ano que me tem sido pródigo… em óbitos. Um amigo, com dedicados amigos, devoto da boa mesa, conhecedor apaixonado e exímio condutor de automóveis, fumador desde muito cedo e até muito tarde, teve vários empregos e nunca o vi de mal com a vida, pelo contrário, desfrutava-a. Sempre com o coração ao largo era de relacionamento afável, urbano, de compleição forte e cara de menino, tinha a esperteza digna dum Malhadinhas e tratava com absoluto desdém os urbanóides, ou os que se portavam como tal, chamando-os de Tétas, Tétas Maleiros, o pior epíteto que atribuía a alguém.
Homem de coragem, de ânimo raro, de vigor invulgar partiu. Partiu, lá para aquele lugar que imagino luminoso e de tons suaves entre o dourado e o azul, aquele espaço sereno onde o equilíbrio reina, lá onde o mal, a imperfeição, as desconsiderações e as injustiças não entram. Partiu para onde só os heróis vão, e o Zézé era um herói. Tinha apenas 19 anos quando pisou e perdeu uma perna numa das malhas que o então império tecia, no lago Niassa em Moçambique. Depois, viveu ou sobreviveu numa epopeia passada em vários hospitais, suportando mais de dezena e meia de operações, até à redentora cidade de Hamburgo.
Foi o Zézé a primeira vítima da guerra colonial com quem convivi. Foi com ele, e ele connosco, que compreendemos de que lado da história nos batíamos.
Calceteiro marítimo não deixava os seus créditos por mãos alheias, e recordo-o, já com a prótese, (que só quem o conhecia sabia que usava), em 1969 distribuir e protagonizar a maior cena de pancadaria que me recordo, quando uns meninos queques de Coimbra vieram à Guarda dar uma lição contra a falsa democracia cripto comunista, expressão que cito de cor dum relatório da PSP que em 74 li na PIDE/DGS. Foi com ele ao volante do seu inesquecível Kadett azul que muitas vezes fui namorar à terra da minha pequena.
Bem Hajas Zé. Bem hajas por teres sido meu amigo.
Os que cá ficámos, ficámos bastante mais pobres. Desculpa não ter sabido aliviar-te as dores e a angústia que ultimamente sentias. Desculpa se não ajudei quando mais precisavas. Desculpa se nenhum de nós foi capaz de te sacar daquela cena.
Tenho a certeza que o bom Deus te recebeu de braços abertos e com todas as honras. É esse o meu conforto.
A toda a família, especialmente à Amélia, Iria e Hugo aqui fica o meu público e fraternal abraço.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Solidariedade com a CVP
Um post curto para ser eficaz. Quem tiver curiosidade siga este link e proceda em conformidade.
http://www.jornalaguarda.com/index.asp?idEdicao=354&id=19342&idSeccao=4806&Action=noticia