terça-feira, 21 de julho de 2026

Encontrei no éter um americano singular. Após eu ter dito: this is CT7AJB. My QTH is Guarda, in central Portugal. We’re in the mountains here. I’m running a Yaesu FTDX3000 into an end-fed antenna. My name is Júlio. I spell, Juliett Uniform Lima India Oscar. You’re five-nine” o homem, pela voz, por ter tão boa dicção, imaginei-o grande e de origem africana. Confirmei depois essa imagem no QRZ.COM. Deu-me dados que desconhecia por completo. Não vou reproduzir a conversa ouvida por muitos. Foi no rádio e de certeza que alguém a monitorizou na sua terra. Fiquei a pensar no que ouvi e deu-me para escrever. É a melhor forma de pensar, é como por um problema em equação. “They profit from human flesh.” disse. Prefiro não traduzir e escrever em português Os Picadores de Carne Humana As cem maiores empresas de armas do mundo faturaram 679 mil milhões de dólares em 2024. Mais 5,9% do que no ano anterior. Um recorde que ninguém celebra em voz alta, mas que todos, de alguma forma, ajudamos a pagar. A Ucrânia tornou-se o laboratório onde se testam os produtos antes de irem para o catálogo. Cada míssil disparado é também um argumento de venda. E a maior parte do dinheiro que dizemos enviar para a Ucrânia fica nos Estados Unidos, entra nas fábricas, sai em forma de contratos e acções em bolsa. O conflito financia-se a ele próprio, e financia sobretudo quem o alimenta. Poder-se-ia argumentar que estas empresas sustentam cadeias inteiras de emprego qualificado, que a dissuasão evita guerras maiores, que a inovação militar acaba por chegar à vida civil, que uma Europa sem indústria própria fica apenas dependente de quem a tem. São argumentos com peso real, não são cinismo disfarçado. Mas nenhum deles explica por que motivo o modelo de negócio parece precisar de conflitos prolongados para prosperar, em vez de preferir resolvê-los depressa. E se perguntarmos quem consumiria as máquinas de morte sem essas guerras de média intensidade, a resposta honesta é que a indústria sobreviveria, só que mais pobre. Viveria da obsolescência lenta dos equipamentos, dos exercícios de treino, da exportação para conflitos distantes que os telejornais europeus mal mencionam, da corrida de catálogos entre potências que nunca disparam um tiro. É essa diferença de margem, entre um mercado tranquilo de substituição e um mercado acelerado por guerra real, que explica por que o interesse económico e o interesse pela paz raramente coincidem por completo. É desumano, é miserável e é trágico que sejam os picadores de carne humana a determinar o ritmo da paz e da evolução. E não é preciso imaginar vilões de bigode retorcido numa sala escura. É pior que isso, é mais banal. São conselhos de administração, relatórios trimestrais, accionistas à espera de dividendos. O mal aqui não precisa de intenção maligna, só precisa de incentivos bem alinhados na direcção errada. Talvez seja esta a imagem real da intenção maligna. O que nos resta, como cidadãos comuns, é exigir transparência sobre onde vão parar os nossos impostos aqui na Europa, nestes orçamentos de defesa que crescem sem grande explicação pública. Não confundir defesa legítima com alimentação de um mercado que precisa da guerra para sobreviver. E depois, o mais difícil de tudo: construir, do lado de fora, razões para que a paz também valha a pena a quem tem poder para a decidir. Reconstrução, comércio, infraestruturas partilhadas entre antigos inimigos, para que o cessar-fogo interesse não só à consciência, mas também ao bolso de quem manda. E tornar a opacidade dos orçamentos cara, através de auditorias, jornalismo, pressão eleitoral, até que esconder custe mais do que mostrar. Nada disto se resolve sozinho, e nada disto se resolve por um só de nós, tirando aquela meia dúzia de cavaleiros do apocalipse. Exige jornalistas que perguntem, eleitores que exijam contas, empresários que prefiram vender paz a vender guerra, políticos que aceitem o custo de dizer não. Exige todos, ao mesmo tempo, e durante muito tempo, porque o outro lado também trabalha em conjunto e não descansa. Talvez a única resistência possível seja esta: olhar de frente para o que é, sem ilusões, dizê-lo em voz alta, e continuar a acreditar, sem ingenuidade, que a pressão diplomática e a exaustão económica um dia falarão mais alto do que os lucros.

domingo, 19 de julho de 2026







Os rapazes que já não são rapazes


Ontem almoçámos, rapazes que já não o são há muito. Fizemos juntos a quarta classe há sessenta e quatro anos, na altura, o fim do ensino obrigatório. Fomos à Churrasqueira Típica, o local de comes e bebes, mais perto da Escola do Espirito Santo onde nos trataram bem e a bom preço, o que também é uma forma de amizade. Começámos às 12h30 e só nos levantámos cerca das 16h00. Comemos bem, bebemos melhor, e sobretudo falámos. Falámos muito, e sorrimos e rimos mais ainda.
Falámos de tudo menos das profissões que cada um seguiu. Isso quase nunca aparece, e quando aparece é de passagem, como quem menciona o tempo. Estiveram em cima da mesa as traquinices, as professoras, os episódios de uma “escola”, um ensino que já só existe em nós. Houve, estranhamente ou talvez não, um espaço mais demorado, mais grave, para o serviço militar, um de nós traz no corpo as marcas das malhas que o Império teceu. Por horas conseguiu-se o impossivel, falar de tudo inclusivé de politica, ter opiniões diferentes sem discutir, apontar erros passados e presentes, aceitar democraticamente as diferenças nacionais, e da mundial nada se disse porque creio que todos achamos que a politica mundial está entregue a outra espécie, aos bichos. Há uma origem comum que nos une, e ontem voltámos a ela de coração aberto. Durante algumas horas esquecemo-nos de que já somos mais os que contam ausências do que os que fazem planos.
Há qualquer coisa de profundamente bom em sermos vistos, por um dia, não como o que somos agora, mas como os rapazes que fomos. Ninguém nos pede contas do que fizemos da vida. Conhecemo-nos desde a origem, e por isso as formalidades da vida adulta caem sozinhas. Não há máscaras a manter entre nós, só irmãos que a infância uniu e que o tempo não conseguiu separar.
Lembrámos os mortos, que já são muitos. Brindámos à professora, ao professor da sala ao lado e também a uma professora estagiária que era, imagine-se, a minha irmã mais velha.
No fundo, este almoço foi um hino à vida. Estarmos vivos, activos, ainda capazes de nos sentar à mesa uns com os outros, rir alto e contar as mesmas histórias, é já uma vitória. Ontem foi isso: uma festa da amizade, celebrada com vinho e memória, entre homens que um dia foram rapazes juntos e que continuam a sê-lo, sempre que se voltarem a encontrar.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Manuel Valentim Dias Júnior

 

Há noventa anos, faz hoje exactamente noventa anos, que numa madrugada que a história oficial preferiu esquecer, bateram à porta de um homem livre. Não vinham prender um criminoso. Vinham calar uma consciência.

Era solteiro, 26 anos, contabilista do pai e dos sócios que ergueram uma empresa de transportes e oficina com as próprias mãos e nela empregaram vizinhos, amigos e quem precisava de trabalho. Era republicano por convicção firme, não por moda nem por conveniência. Era democrata num tempo em que essa palavra já soava perigosa aos ouvidos do regime. E era, sobretudo, um livre pensador, dessas pessoas incómodas que insistem em julgar por si mesmas, em vez de aceitar o julgamento que lhes impõem.

Chamaram-lhe comunista. Não o era, nunca o foi. Mas a PVDE não distinguia matizes, bastava simpatizar com a causa dos republicanos espanhóis, bastava recusar-se a ficar calado perante o avanço do fascismo em Espanha, para se tornar suspeito. Ajudou quem podia, como podia. Pagou por isso com a prisão e com a tortura, esse instrumento cobarde dos que não sabem vencer ideias e por isso tentam quebrar corpos.

 Não quebraram nada que se visse.

Porque este homem, além de tudo o resto, era melómano. Amava a música com a mesma obstinação com que amava a liberdade, e talvez as duas coisas fossem, para ele, a mesma coisa vista de ângulos diferentes. A música não se rende a ordens; obedece apenas às suas próprias leis internas, à harmonia que cada um descobre e reconhece como verdadeira. Um homem que ouve assim, que se deixa atravessar por uma sinfonia sem pedir licença a ninguém, já sabe, no corpo e na alma, o que é ser livre. Nenhuma cela consegue fazer esquecer isso.

Passaram noventa anos. O regime que o prendeu caiu, como caem sempre os regimes que temem os homens livres. Ele continuou a ser o que sempre foi: democrata indefectível, incapaz de trocar a verdade pela comodidade, incapaz de calar-se quando calar-se seria mais seguro. Mas o mal estava feito, O SPT durou até ao fim da sua vida.

 Hoje, recordá-lo não é apenas exercício de memória familiar. É lembrar que a liberdade teve sempre um preço, e que houve quem o pagasse sem hesitar, para que outros, depois, pudessem ouvir música em paz.

Honra e glória ao meu pai, Manuel Valentim Dias Júnior

terça-feira, 17 de junho de 2025


     NO RESCALDO DAS ELEIÇÕES DE 18 DE MAIO


A história de Portugal demonstra, de forma inequívoca, que o anseio por liberdade, justiça e cidadania não é uma aspiração recente, mas uma constante da construção nacional. A Revolução Liberal de 1820 procurou instaurar uma ordem constitucional baseada na soberania popular e na limitação do poder régio. Já a proclamação da República, em 1910, visava concretizar os ideais de laicidade, educação pública e alargamento da participação política. No entanto, ambos os momentos históricos evidenciaram fragilidades estruturais: a instabilidade governativa, a exclusão social e a incapacidade de consolidar instituições robustas conduziram à revalorização da ordem em detrimento da liberdade e da inclusão. A substituição dos ideais pela imposição da autoridade revelou-se um padrão recorrente na trajectória política nacional, um padrão que explica os seus fracassos e os retrocessos civilizacionais que se lhes seguiram.

O 25 de Abril de 1974 rompeu com esta lógica. Rejeitando a ditadura e o pensamento único, devolveu ao povo português a liberdade e a dignidade de participar activamente na vida pública. O regime democrático consagrado na Constituição de 1976 incorporou - veremos até quando - com inegável densidade, os princípios do Estado de direito, da justiça social e da cidadania participativa. Todavia, os desafios contemporâneos revelam sintomas preocupantes de erosão democrática com a abstenção, o alheamento cívico, a descrença nas instituições, o voto motivado por ressentimento ou impulso, e a ascensão de discursos populistas que instrumentalizam o descontentamento. Estas manifestações apontam para um défice profundo de cultura democrática e para uma crise de cidadania substantiva.

Neste contexto, importa reflectir sobre os desafios contemporâneos à cidadania democrática. O que me preocupa - e que tenho partilhado com os amigos de várias maneiras - é o que julgo ser uma interferência ilegítima e permanente do poder judicial na política, quer por acção, quer por omissão. Esta preocupação revela-se tanto mais pertinente quanto observamos que, hoje, os fascistas não tomam o poder fardados. Tomam-no pelo voto, surgem de fato, sem ideias, de léxico reduzido, cheios de preconceitos, fomentando os sentimentos mais baixos e, garantidamente, nunca deixarão o poder por derrota nas urnas. Haverá circunstâncias imponderáveis que importa identificar. Entre nós, o controlo democrático do Ministério Público é urgente, não pode constituir um Estado dentro do Estado, com calendário próprio e sonhos justicialistas. Culpas há de muitos lados, a começar pela escola. Em todas as latitudes, tomou-se como certo o que não o era. Formou-se toda uma geração com défice de espírito crítico, menos solidária, dispondo de equipamentos e software que não sonhávamos, mas que os mantém permanentemente ligados e facilmente manipulados pelo célebre algoritmo. Não serão, para já, esses jovens a exercer a vigilância democrática. A liberdade conquistada exige cidadania activa, pensamento crítico e resistência às formas subtis - mas não menos perigosas - de autoritarismo.

Importa afirmar de forma clara e inequívoca que o combate à corrupção, por mais necessário que seja, não pode servir de disfarce para projectos autoritários que ambicionam o poder pelo poder, frequentemente sustentados por um discurso moralista e punitivo que esconde uma sede de dominação e de acesso impune aos recursos do Estado. A história ensina que o autoritarismo raramente se apresenta de forma frontal; pelo contrário, reveste-se de promessas redentoras, de apelos à “limpeza” da política e de pretensas soluções simplistas para problemas complexos. Portugal já conheceu essa retórica e pagou por ela um preço elevado.
Ontem, fiquei surpreendido mas não convencido. Vamos combater o ímpeto reacionário saindo da nossa zona de conforto, organizando-nos em grupos de reflexão e acção política. Os nossos princípios superam as nossas divergencias 

 

                                                                                                           

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A explicação dum jurista inspirado e com intenso vínculo à verdade


Numa altura em que se diz que o Ministério Público, a Autoridade Tributária e a cobrança coerciva de dívidas à Seg Social estão em roda livre, Paulo Rangel removeu qualquer dúvida que pairasse no espirito lusitano. Numa forma sublime e quase poética, recorrendo à mais evidente e clara alegoria, explicou a razão pela qual o caso “submarinos”, julgado na Alemanha, teve corruptores e condenações, mas que em Portugal o verbo corromper não é transitivo (quem corrompe, corrompe alguém ou alguma coisa…querias), não, não tem nada a ver com o AO; por que razão as dívidas à Segurança Social e actividades do actual PM na Tecnoforma não são objecto de interesse pelo M P ou outra autoridade; por que o hambúrguer Miguel de Vasconcelos não é citado por nenhum tribunal e acusado do crime de traição à Pátria, por que o ex MAI visado nos vistos Gold se vai desembrulhar sem danos. Um jurista desengordurado e deputado europeu é outra coisa

domingo, 16 de dezembro de 2012

Contributo para o estudo da História do Ozendo


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Electricidade mais barata para o interior








Jamais me apanharão a dizer que no meu tempo é que era bom. Quando era menino era bom haver uma porção de pessoas de quem gostava e me acarinhavam, ser mais bonito, mais saudável e magro, ter mais sonhos e mais coisas que com o tempo se vão perdendo. Mas ganha-se equilíbrio, a vida vivida e não sonhada, ganha-se uma visão mais abrangente e vai-se ganhando o sentido da relatividade das coisas. Isto é apenas uma introdução ao que se segue.



Lembro-me que a electricidade ter aqui na Guarda, dado o clima ser áspero e a electricidade ser aqui produzida no Pateiro e na Serra da Estrela, uma tarifa mais barata que o resto do país. Havia um equilíbrio dinâmico, que ao que julgo saber começou a ser destruído no tempo do Marcelo Caetano.

Se pagamos os mesmos impostos que o litoral, porque diabo não havemos de ter as mesmas regalias? Como não falo do que é difícil alterar, da saúde, ensino, cultura, posso falar daquilo que se pode mudar de imediato. Como não posso pôr o Betinho, "afrogermanico" de Massamá, a gastar tanto quanto nós para ter a casa aquecida, posso dizer que ele pode fazer com que nós paguemos menos. Falo do elementar calorzinho entre portas...
Não seria justo o gasóleo doméstico, o gás natural e propano e a electricidade terem aqui um preço bem mais baixo que no litoral?
A nova, e já agora a velha Nobreza de Lisboa, algum dia olhará para a provincia, para o país, para o interior do interior, para a montanha da montanha sem contar os deputados que elege?

É bom que não nos tomem por idiotas. Vejamos os preços dos combustíveis pelo planeta
Bélgica Diesel 1,222
França - diesel 1,294!

Azerbaijão - Diesel 0,31 euros
Egipto - Diesel 0,14 Euros
Etiópia - Super 0,24 EUR
Bahamas - Diesel 0,25 EUR SERÁ QUE ESTES TAMBÉM TÊM POÇOS DE PETRÓLEO?
Bolívia - Super 0,25 EUR
Brasil - Diesel 0,54 EUR
China - Normal 0,45 EUR...........e depois os chineses é que têm culpa do excesso de consumo!!!!! ou nós é que também andamos a pagar para estes?
Equador - Normal 0,24 EUR
Gana - Normal 0,09 EUR!!!!!!!
Gronelândia - Super 0,50 Euros
Guiana - Normal 0,67 EUR
Hong Kong - Diesel 0,84 Euros
Índia - Diesel 0,62 EUR
Indonésia - Diesel 0,32 EUR
Iraque - Super 0,60 EUR
Cazaquistão - Diesel 0,44 EUR
Qatar - Super 0,15 Euros
Kuwait - Super 0,18 Euros
Cuba - Normal 0,62 EUR SERÁ QUE ESTES TAMBÉM TÊM POÇOS DE PETRÓLEO?
Líbia - Diesel 0,08 Euros!!!!!!!
Malásia - Super 0,55 Euros
México - Diesel 0,41 EUR
Moldávia - Normal 0,25 EUR SERÁ QUE ESTES TAMBÉM TÊM POÇOS DE PETRÓLEO?
Omã - Super mais 0,20 euros
Perú - Diesel 0,22 EUR. SERÁ QUE ESTES TAMBÉM TÊM POÇOS DE PETRÓLEO?
Filipinas - Diesel 0,69 EUR
Russia - Super 0,64 Euros
Arábia Saudita - Diesel EUR 0,07 !!!!!!
África do Sul - Diesel 0,66 EUR SERÁ QUE ESTES TAMBÉM TÊM POÇOS DE PETRÓLEO?
Suazilândia - Super 0,10 ! Euros!!!!! SERÁ QUE ESTES TAMBÉM TÊM POÇOS DE
PETRÓLEO?
Síria - Diesel 0,10 Euros!!!!!
Trinidad - Super 0,33 EUR SERÁ QUE ESTES TAMBÉM TÊM POÇOS DE PETRÓLEO?
Tailândia - Super 0,65 EUR
Tunísia - Diesel 0,49 EUR
EUA - Diesel 0,61 Euros
Venezuela - Diesel 0,07 EUR!!!!!
Emiratos Árabes Unidos - Diesel 0,18 Euros
Vietname - Diesel 0,55 EUR
Ucrânia - Diesel 0,51 EUR
Portugal Continental - Diesel 1,495!
É inacreditável, não é?





Eles não sabem, mas nós podemos não ser o problema, mas sim a solução.