quinta-feira, 21 de julho de 2011

Crepúsculo ou Aurora


Karl Marx escreveu que o capitalismo se auto-aniquilaria pela destruição da Natureza e do Trabalho. Quanto à Natureza, conhecemos o seu estado: esgotada e ferida no seu frágil equilíbrio; quanto ao Trabalho, sabemos como estamos ( nós e os nossos vizinhos), 30% dos jovens com formação desempregados aqui e 40% em Espanha, conscientes que este desemprego é estrutural. A regeneração do capitalismo morreu. Não é a obtusa economia a culpada, é a usurária finança que não deixa que o capitalismo se regenere mais uma vez.

O ciclo ou o circo fechou. Entraremos numa escuridão anestesiante e aveludada ou numa aurora pungente e luminosa?

A tudo se pode chegar, até a isto, escrever um post em que parece que desejo uma auto regeneração dum sistema imoral e cheio de contradições internas.

Para que não me surpreenda, ninguém se surpreenda, com o que o futuro nos reserva. Estejamos prontos para lutar e partir defendendo a justiça e o direito.
Mais uma vez evoco o calibre 12

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Antes do ocaso, no acinte do futuro, antes do abismo


Cada vez que ouço um douto televisão dizer que vivemos acima das possibilidades fico com pele de galinha. A imensa maioria das pessoas que contraiu empréstimos para comprar casas e carros cumpriu zelosamente com as suas obrigações.

Acharam isso justo e legítimo.

Usufruíram de auto-estradas e acharam que isso era comum, produto da evolução normal das coisas.
Adoeceram e foram hospitalizados, operados e tratados com boa técnica e humanidade.

Julgaram que os impostos, nomeadamente os sobre o vencimento e o produto do seu trabalho pagavam o que legitimamente tinham.

Acharam isso justo.
Mandaram os filhos para as universidades, deixaram-nos fazer Erasmus, valorizaram-se, adquiriram diplomas, criaram ilusões.

Acharam isso legítimo.

Muitos também compraram a crédito lcd, fogão, frigorifico, máquina fotográfica, máquina de lavar, férias e tudo o mais que a sociedade de consumo oferecia. E pagaram. Satisfaziam o ego e o mercado.

Não viram, nem vejo vícios, nem libertinagem, nem estroinice.

Porque é que temos que ouvir passivamente umas doutas sabedorias dizer-nos com toda a desfaçatez que somos uns preguiçosos gastadores, anafados, que vivemos de expedientes, para além das nossas possibilidades, e que todo o castigo é pequeno.

A imensa maioria não tem que fazer nenhum acto de contrição pelo estado das finanças públicas.

Mas uma coisa é certa, há por aí alguém que pensa que sim, que somos todos uns calaceiros e querem musculadamente tratar-nos da saúde, alterar a Constituição, tirar feriados, por o povo a trabalhar com produtividade (debaixo do chicote?) e arranjar umas massas vendendo o que é serviço público para alguém ganhar em privados negócios. Esquecem um detalhe, que não é despiciendo, ao procurarem uma maioria política, esquecem a absoluta necessidade duma maioria social de apoio e essa garanto que não a têm. Pode ser, pode ser o regresso ao calibre 12.

Oxalá não seja.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Realidade ingénua


Cada um de nós vê através dum tubo e por isso cada um tem a sua verdade, é a realidade ingénua dizem os físicos. O tubo é constituído pelos nossos olhos, ouvidos, todo o sistema nervoso, conhecimento e alguma sabedoria que se sedimentou. Por isso alguns têm uma visão mais abrangente que outros. A minha realidade ingénua, (inocente é outra coisa), é simples e, aberta a janela, tento descrevê-la a traço largo.

Vejo que os financiadores, credores e outras dores constituídos em troika aterraram em Lisboa com a nobre missão de nos salvar.

Vejo o primeiro responsável pela actual situação politica o PR a manter-se silencioso, sibilino, acastelado numa prudente cobardia, a pensar mais em si mesmo, e a pôr-se a jeito para cumprir um projecto de poder pessoal... Como lamento escrever isto, eu, que me julgo um democrata e que creio que quem é legitimamente eleito deve ser poupado a determinadas diatribes. Mas este porfiou tanto que as merece. A meu ver não é nem patriota nem democrata. Pratica a política da pior maneira, e apresenta-se com o mesmo antipolitiquismo de que sofria Salazar, Ferreira Leite, Fernando Nobre e outros salvadores. Entretanto, o jovem turco diz que Sócrates não é de fiar. Este diz que a oposição não é de confiança.

Não vejo uma casa sem pão onde todos ralham e ninguém tem razão. Vejo uma casa onde os cônjuges não se entendem. Cada um vai fazendo exercícios de afirmação de personalidade e os restantes habitantes da casa, cansados, já encolhem os ombros, alheiam-se e não querem saber quem os leva por que caminhos. Já tanto lhes dá. O árbitro, o conselheiro matrimonial, mais interessado em participar da festa do que em resolver os problemas do casal, sopra o lume da intolerância e da falta de respeito.

Os melhores da casa fogem, os média dizem que emigram. Uns emigram para o estrangeiro e outros emigram para fora dos partidos. Estes são os pilares da democracia como a entendo. Os partidos obrigatoriamente devem estar abertos à sociedade civil, a todos os cidadãos. Não podem ser capelinhas, nem seitas. Assim, entregues à bicharada, não haverá democracia que resista, basta ver os cabeças de lista para as próximas legislativas.

Já andam ao rebusco. Estamos feitos…



terça-feira, 19 de abril de 2011

Oásis

Volto hoje a abrir esta janela, só uma frincha e apenas por um bocadinho.

Desde a última vez que aqui me expus até hoje nada deixou de acontecer. Larguei algum lastro e atravessei com sucesso o Rubicão, mas Portugal ainda não disse: alea jacta est.

Não me disponho a fazer uma sinopse do que fica para a História, mas quero servir-me desta fresta para exercer o direito à indignação. Deixo aqui exarado o meu protesto: quando o PR quebrou o silêncio para dizer que não ia intervir, achei que a crise política, a que deu o start, é um oásis de horror no meio de um deserto de desgraças.