quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Pecador me confesso


Quem vai para o céu perde o sexo e torna-se serafim, querubim, trono, dominação, potestade, virtude, principado, arcanjo ou um vulgaríssimo anjo. Não há anjas embora o pareçam e em rigor devia dizer-se e escrever-se anjes, como diria o meu amigo Carlinhos.
Os anjos só ganham asas depois de prestarem provas. Vencer o rancor, ultrapassar o ressentimento, numa só palavra perdoar. Creio que por mais inocente que seja, jamais ganharei asas, não porque guarde rancor, ou por ter ressentimentos, mas porque embora saiba perdoar, não esqueço nem aprendo. Às minhas angústias e mágoas sei dar-lhes cor, forma e nome. Às pancadas que tenho levado julgo ter sabido quando devia dar a outra face, (presunção, água e vento cada um toma o que quer), ou o competente, pedagógico e forte coice. Mas terei sempre aprendido a conviver com os meus defeitos e com os dos outros???!!!...
Além de perdoar tenho a pretensão de distinguir justiça e vingança. Mas como não esqueço, acho que não aprendo, temo não ser justo e cair na ignomínia do rancor.
Eis um deplorável, confessional e catártico post conveniente ao dia de hoje.

domingo, 29 de novembro de 2009

29 Novembro 2009


Faz hoje um ano havia neve;
Fiquei nas costas do tempo,
Sozinho.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Coisas fantasmáticas

Mumadona é a minha avoenga favorita porque não sabia nada de futebol e gostava de política. Como em Portugal há um desconchavo e sabe-se mais de futebol a sério e nada de política à séria, adquiri uma formação que é um percurso marginal à identidade nacional. Mas não quero ser ambíguo, quero deixar claro que mesmo em 1966 e em 2004 fui imune à febre futebolística que apossou o país. Claro que no verão de 66 deixei a esplanada da Madrilena e fui lá para dentro a festejar o 4º. e 5º golo contra a Coreia. Em nome da solidariedade familiar, tive que suportar as dores do Portugal/Rússia em 2004, angustiei-me mas não fiquei contaminado.

As siglas e marcas, mesmo desportivas, que marcaram a minha juventude e que eu detestava estão quase todas mortas e enterradas. Sem citar as comerciais que as há, refiro aleatoriamente algumas das institucionais: SNI, UN, MP, Legião Portuguesa, Exame Prévio. Deixo para o fim uma que abominava e que sobrevive e que sei que é injusto misturar com aquelas, o Benfica. Tenho relações afectivas com muitos benfiquistas a começar pelos meus filhos, mas não consigo engolir semelhante etiqueta, mais pelo que representou do que por aquilo que é, por sinistras que tenham sido as suas figuras de proa.

Há muito pintei para mim o benfiquista: um tipo baixo, impante, cabelo com brilhantina penteado para trás, bigode fininho e o emblema com a águia ao peito. Agora fiz-lhe um upgrade: é um fulano com o mesmo ornamento alado, malcriado, autocrata, ressabiado, de laço vermelho (linda cor) ao pescoço e verdadeira ameaça ao estado democrático.

sábado, 21 de novembro de 2009

Mentira


Mentir não é não dizer a verdade é dizer mais que a verdade, é dizer o que se sente ou nem isso, mas mais que isso. É sempre feio mentir e é tão humano. Quem de nós nunca mentiu? Quem de nós muito em privado e muito levianamente não mentiu e disse coisas que configurariam crimes passíveis de prisão? Não falo de promessas oportunas ao momento, das mentiras piedosas, nem do murmurar do próximo, refiro-me à pequena intriga, deixar no ar a mais inverosímil suspeita ou outras bem mais graves, por terem qualquer coisa de verdade formal? Por mim, na minha insuspeita inocência, garanto jamais ter dito palavras quer por telefone, quer pessoalmente, que pudessem ser consideradas crime, ou colocassem um amigo ou amiga em apuros, se estivesse sob escuta, como é óbvio. Isto é que é mentir com convicção!!!…
Quando rapaz fui alvo dos interesses da PIDE/DGS e tenho um dossier completo onde os meus crimes contra o Estado Português, que não era democrático, são esmiuçados: cartas à minha namorada, inquéritos feitos no Liceu, mostrar o caminho da fronteira, livros que ia lendo, panfletos ciclopicamente distribuídos, comentários ditos à mesa do café, transcrição de conversas que tive e outras que nem mais ou menos aconteceram, passeios, reuniões, colóquios, conferências e encontros que tive e outros por onde nem a minha sombra passou, tudo por lá se encontra. Um detalhe, a cor de gravata que usava no dia da morte de Salazar também consta do meu processo, (lá vem Camus e O Estrangeiro de novo) Quem não chora no dia da morte da mãe é culpado ...
Mentir é isto, é dizer mais que a realidade.
Se houvesse telemóveis até Salazar era preso…
Mas estamos num estado democrático e o poder pertence ao povo e não é coutada de nenhuma corporação, partido ou família, nem dum estado dentro do estado. Investigue-se o que há a investigar mas não se devasse a vida de quem pecou apenas por não ser medíocre e ter amigos de ambígua idoneidade Não deixemos que alguns pulhas, verdadeiros canalhas ressabiados, justifiquem desalentos musculados.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Práticas Familiares


Eis-nos chegados ao tempo do rebusco das castanhas e de apanhar os sinistros míscaros; já foram noticiadas este ano quatro mortes só na região centro.

A coincidência não obedece a leis e diz-se que não existe a fórmula da coincidência. Não acredito em bruxas, pero que las hay, hay. A harmonia da percepção de acasos torna-nos a todos poetas, obscuros sacerdotes de estranha liturgia e há uns mais susceptíveis que outros.

Nesta época de rebusco das castanhas celebremos a vida e o futuro. Saudemos o milagre da existência e reconheçamos a nossa pequenez e a natureza de elo de uma cadeia admirável chamada vida.

Este post tem endereço, pois é minha obrigação dar os parabéns à fonte de vida, a alguém muito especial e que acaba de receber uma notícia singular e vivificante.

Há rituais que não são só um acto cerimonial; desencadeiam forças positivas e novas energias fluem por mais ocultas que estejam: o melhor vai acontecer.

Por isso hoje bebo em honra à(s) mulher(es) da minha tribo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Compaixão e ração


Há bocado jantava e tinha um olho e um ouvido no Telejornal. Soube que houve hoje em Lisboa um encontro de várias religiões sobre a compaixão. Tanto quanto julgo saber compaixão é a dor que sentimos perante a dor alheia, seja pessoa ou animal. Mas este sentimento tão humano parece que é desvirtuado na conquista amorosa, na luta politica e na guerra. Obviamente que mesmo em teatros destes há episódios de piedade, outra palavra para compaixão. Mas quando um tipo se embrulha em explosivos e num verdadeiro festival pirotécnico pretende encontrar o caminho do paraíso sabe que todos os que com ele partem encontram fatalmente o caminho do inferno. Que teologia estranha esta onde não cabe a compaixão…
Por uma estranha associação de ideias vem-me à memória faces da cor da lua nova e sem paixão evoco António Guterres, homem de declarada paixão. Com este não houve compaixão e possivelmente foi o mais injustiçado político português. Tem qualidades e defeitos, e os defeitos deste serão provavelmente as virtudes de Sócrates. Parecem-me políticos simétricos, em módulo matemático, serão o mesmo. Sei que parece um atrevimento e uma ofensa a ambos, mas se pensarem bem e sem ironia isto é um elogio.
Ambos mexeram em intocáveis, e eis que aparecem à luz do dia como os cogumelos agora, neste Outono chuvoso, uma multiplicidade de órgãos a defender os interesses dos togados.
Os agora tão mediaticamente presentes foram sempre seres cheios de privilégios, bem pagos, reservados sem necessidade de publicidade, e o barulho das luzes não os incomodava.
Depois, desde a chegada de Guterres ao governo tem sido o que se vê. É caso para dizer: não toques na barriga ao macho quando ele está a comer a ração.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Libertadores Fascistas


A fiscalização da liberdade de expressão e a criminalização de todas as tentativas de divulgação da informação sem o nihil obstat do poder instituído, associado a todas as formas de nacionalismo, religioso ou não, e à xenofobia, é nazi-fascismo. Se alguém, em nome duma ideologia religiosa ou não desrespeitar os fundamentais direitos do homem, é um pregador de ideologia nazi-fascista, seja ela socializante, pró liberal cristã, capitalista judaica ou muçulmana. Criar o Império Americano, devolver poder temporal ao Papa, colocar o povo eleito a governar o mundo, exportar a revolução bolivariana ao planeta, restaurar o Califado e outras ideias mirabolantes têm que ter, da parte de todos nós, o mais absoluto e veemente repúdio. Quando Bush invadiu o Iraque e o Afeganistão eu julgava que era uma guerra entre exércitos fascistóides que pretendiam controlar o comércio do petróleo e da droga. Pensava que o puro Obama pusesse cobro a uma guerra entre fascistas islâmicos pobres e fascistas para-cristãos ricos. Mas parece que o homem sabe mais que isso…

Recordo que a monocultura francesa não conseguiu integrar os milhões de árabes que tem no seu seio e isso é uma verdadeira bomba relógio instalada no peito. Dentro de poucos anos terá uma população maioritariamente de origem árabe e pode declarar-se como república islâmica. Na pluricultural Inglaterra há um bairro, creio que perto de Londres, onde queriam decretar a Shariah e marimbarem-se para as leis inglesas.

Entretanto, os bens pensantes portugueses retiram os crucifixos das escolas e não querem que os filhos tenham aulas de moral e religião. A natureza tem horror ao vazio. Não me canso do dizer: retiremos os nossos sinais que alguém porá os seus. A democracia definha e morre não porque os não democratas ganham mas porque os democratas não fazem nada para a defender.

Eis o triunfo dos porcos.